GEORGE LEARY LOVE

 

George Love foi um fotógrafo norteamericano (1937-1995) que desenvolveu a maior parte de sua carreira no Brasil (de 1966 em diante), tendo fotografado extensivamente a cidade e o estado de São Paulo, bem como a Amazônia.

Ele veio ao Brasil a convite da fotógrafa Claudia Andujar, com quem então se casou, e os dois estabeleceram-se em São Paulo, trabalhando juntos, para a imprensa e num grande número de projetos pessoais. Claudia acabou notabilizando-se principalmente pelos seus registros dos povos indígenas (especialmente os Yanomami), enquanto George explorou sobremaneira a cidade de São Paulo, sobre a qual deixou um livro importante (São Paulo Anotações, editado pela Eletropaulo, 1978), e livros sobre a Amazônia (o mais famoso deles, Amazonia, em conjunto com Claudia, 1978).

George morreu repentinamente, durante uma cirurgia, em 1995, em São Paulo, deixando com Claudia uma grande parte de sua produção.

A geração de George e Claudia foi importante por demarcar novas práticas fotográficas, quando a comunicação de massa passou a influenciar sobremaneira a classe média urbana que se modernizava. George e Claudia trabalharam na fase inicial da revista Realidade (1966 em diante), da editora Abril, que marcou época no mercado editorial brasileiro, pela renovação de pautas e tratamentos editoriais que a revista propiciou. Ao sair do corpo editorial daquela revista em 1971, o casal tornou-se editor de fotografia de outros veículos, como a revista Bondinho (1971-2): nesta, toda a reportagem fotográfica era feita por George, visitando inúmeros lugares da cidade de São Paulo, e fazendo verdadeiras crônicas visuais de bairros, museus, galerias, vida noturna (gafieiras, bares, etc), personagens urbanos etc.

Além de crônicas de rua, George trabalhou também em estúdio, produzindo fotografias de publicidade e para um mercado editorial crescente, que pluralizava suas demandas: moda e comportamento, exposições de arte, catálogos, calendários, relatórios financeiros de empresas, e assim por diante.

Do ponto de vista dos conteúdos temáticos das fotos, além de um grande número de registros paulistanos, cobrindo a vida cotidiana e cultural da cidade, George também registrou aspectos do interior paulista (instalações hidrelétricas então em implantação, agricultura etc) e, em seu ir e vir à região amazônica, a paisagem intocada bem como sua ocupação por iniciativas com a abertura da rodovia Transamazônica. Enquanto Claudia concentrava-se principalmente no registro das populações indígenas e ribeirinhas, George ocupou-se da paisagem, com um grande número de registros aéreos, feitos em incontáveis horas de vôo. Contrariamente ao clichê de “inferno verde” que a opinião pública da época tinha a respeito da Amazônia, as fotos de George foram das primeiras a mostrar paisagens extremamente nuançadas, em sua variedade morfológica, que contribuíram para o esforço de criar visões mais equilibradas daquela região, principalmente junto à nova classe média urbana.

As fotos de George notabilizam-se também pelo tratamento inusitado que ele dava às suas pautas, com uma linguagem que equilibrava-se muito bem entre a crônica e a experimentação visual. Hoje, George é considerado por muitos conhecedores como um inovador, que abriu novos horizontes em termos de linguagem fotográfica. 

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